12.4.10

Um dia digo-te...

Com 20 anos, um bilhete de comboio, e uma carta no bolso, João foge de casa.
Atormentado por uma infância difícil, abusado sexualmente pelo seu tio, e maltratado pelo seu pai, esta é a história de um rapaz sonhador.
É alto, moreno e tem um sorrio que disfarça todo o seu passado.
Tudo começa com João a sair de uma casa de banho pública, depois de ter recebido dinheiro, em troca de serviços sexuais.
João não é triste, nem é feliz, é prostituto!
Mais um cliente, mais um pagamento, mais um cigarro no fim.
Apesar do seu passado, este rapaz encara a vida de uma forma positiva, até ser preso pelos seus actos de prostituição.
É então na cadeia que vê Rafael pela primeira vez.
No dia seguinte João é libertado, e numa nota velha e suja, que trazia consigo, escreve um número e entrega-a Rafael.
Tudo parece voltar ao normal.
Mais um cliente, mais um pagamento, mais um cigarro no fim.
No entanto João não perdeu a esperança de que Rafael tivesse percebido a sua mensagem.
Dias mais tarde, Rafael é libertado, e procura João.
Quando se encontram, a primeira coisa que Rafael faz é perguntar o nome a João, ao qual ele lhe responde: um dia digo-te...
João detesta o seu nome e tudo o que lhe faz lembrar o seu passado.
João detesta o seu aspecto e vende o corpo porque se sente bem ao fazê-lo e porque assim sabe o valor que tem.
João detesta detestar qualquer coisa, e por isso sorri.
Irá João alguma vez dizer o seu nome?
Até que ponto poderá Rafael mudar a vida de João?


Pedro Ramos
21728
UBI

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