12.4.10

Um dia digo-te...

Com 20 anos, um bilhete de comboio, e uma carta no bolso, João foge de casa.
Atormentado por uma infância difícil, abusado sexualmente pelo seu tio, e maltratado pelo seu pai, esta é a história de um rapaz sonhador.
É alto, moreno e tem um sorrio que disfarça todo o seu passado.
Tudo começa com João a sair de uma casa de banho pública, depois de ter recebido dinheiro, em troca de serviços sexuais.
João não é triste, nem é feliz, é prostituto!
Mais um cliente, mais um pagamento, mais um cigarro no fim.
Apesar do seu passado, este rapaz encara a vida de uma forma positiva, até ser preso pelos seus actos de prostituição.
É então na cadeia que vê Rafael pela primeira vez.
No dia seguinte João é libertado, e numa nota velha e suja, que trazia consigo, escreve um número e entrega-a Rafael.
Tudo parece voltar ao normal.
Mais um cliente, mais um pagamento, mais um cigarro no fim.
No entanto João não perdeu a esperança de que Rafael tivesse percebido a sua mensagem.
Dias mais tarde, Rafael é libertado, e procura João.
Quando se encontram, a primeira coisa que Rafael faz é perguntar o nome a João, ao qual ele lhe responde: um dia digo-te...
João detesta o seu nome e tudo o que lhe faz lembrar o seu passado.
João detesta o seu aspecto e vende o corpo porque se sente bem ao fazê-lo e porque assim sabe o valor que tem.
João detesta detestar qualquer coisa, e por isso sorri.
Irá João alguma vez dizer o seu nome?
Até que ponto poderá Rafael mudar a vida de João?


Pedro Ramos
21728
UBI

19.5.09

hoje

hoje quando acordei pensei em desistir
depois de adormecer continuei a insistir.
desisti quando me levantei da cama,
e reparei no meu corpo estendido,
fora de si.
às vezes acho que sou parvo
apenas porque nao me gosto de caracterizar.
whatever.


quero sorrir quando abrir o estore e ver que há sol.
nem que esteja a chover.

haverá sol neste meu mundo,
e choverá todos os dias.
porque é bom sentir a chuva.
porque é bom sentir.
porque é bom.
apenas porque sim.
ou porque não.
apetece-me
apetece-me nao ter de seguir para lado nenhum
e no entanto continuar sem rumo.
apetece-me
dizer adeus de mim próprio e não ter saudades de mim.
apetece-me acabar,
mas como nao tenho coragem para isso,
vou continuar,
a começar...

e sim,
vou continuar
e continuar até nao ter mais forças
ate ter alguma razao tao forte que me impeça
que me obrigue a parar.
estou farto desta merda.
queria poder adormecer sem ser de cansaço.
queria poder sonhar, sem ser de tristeza.
queria poder chorar ao ver o sol nascer.
e sentir-me só, e sentir-me pouco.
queria poder sentir mais uma vez.
sentir
sentir algo.
nem que fosse a dor de saber
que o sol se vai por,
e vai ser noite.
e mais uma vez nao adormecerei,
sem ser de cansaço.
e quando der por mim a chorar,
vai ser apenas por regalia,
de ter um corpo,
de nao saber da alma
e de pouco a pouco
ir perdendo a calma.
e nao vou parar de escrever
até sentir os dedos calejados
até sentir doer.
até porque a dor que sinto por dentro
é tao grande que me fez esquecer,
do que é sentir...
ou do que é querer.
e continuo.
e quando achar que estou farto, insisto mais
e nao paro apenas porque nao tenho mais nada a dizer.
mas insisto
existo
e porque sei que ao escrever,
estou a ser.
e por breves pensamentos,
quase que adormeço,
sem ser de cansaço.
adormeço seguro, com falta de um abraço.
e continuo.
e nao. nao quero parar.
quando parar é porque ja nao suporto mais
é porque sinto de tal forma,
que desisti de sentir.
e insisto.
e esqueço-me que existo,
e sou só eu,
perdido de mim.
já estou farto de dizer merda.
já nao quero falar mais.
mas quero dizer coisas.
quero expulsa-las
quero gritá-las
quero mandar tudo pró caralho,
mesmo à bom portugues.
e que se foda o politicamente correcto
ou a questão da boa educaçao.
que se foda tudo.
que me foda eu.
ao menos que sinta isso,
já que nem uma foda sinto.
e quero parar de falar,
por isso vou apenas gritar as palavras.
e vou dize-las com enfase de quem esperou uma vida para falar.
e vou abafálas com eco.
e quero repeti-las.
quero senti-las.
quero vive-las.
quero.
continuo.
nao sinto ainda os dedos.
ou sera isso sinal de que devo parar?
enquanto estiver inconsciente do que digo,
sei que nao me vou calar.
e grito,
calado, apenas porque canso-me de me ouvir.
ficam as vozes cá dentro. a querer viver.
a querer sair.
e continuo.
e fiquei sem asneiras para dizer.
e não me apetece pensar noutras, nem repetir as mesmas.
e mando tudo pró outro lado, que tambem serve.
e quando me sentir realizado, ou quando sentir apenas,
entao terei terminado,
e já nao será tarde, nem cedo,
será agora.
que eu ficarei calado.

17.1.09

Como foi ontem?

A noite valeu assim tanto a pena?
Fugis-te da cama onde tinhas meus braços,
Porquê?
Hoje sonhei que posso acordar a qualquer momento,
E não estar a teu lado
Afinal não fomos feitos assim com tamanha beleza, para acordar em lençóis frios
E sentir a falta um do outro!
Acordei sonhando devagar num dia de chuva.
O teu sorriso era mais falso, o teu olhar misterioso!
Porque te olhas? Pergunto.
Respondes com uma lágrima que te cai do olho, e sem sentimento,
Refrescas as palavras e começas,
Acabas!
Depois disso adormeço, e torno a sonhar.
Sonho que te conheci, e que me estou a apaixonar.
Terá um rosto força para matar este amor passado?
Terá um sorriso mais força que todo o tempo que passou?
Afinal? Quem eu sou?
Conheço-me ao tentar beijar-te,
Sei que sou fraco, sei que no fundo,
Te vou magoar,
Mas azar, afinal de contas,
Isto vai acabar!

13.1.09

O mistério do ovo

Ligeira casca envolta em falsa película
Tal como eu, falso!
Excluo à partida a brincadeira inicial de o partir
Vingo-me com a vontade de o rachar.
Encontra-se nele um pequeno e apertado casulo
que me desperta vontade de não sair.
Posso ouvir o eco entoar nos rebordos de cor transparente,
E apertar e encolher à medida que o tempo passa.
As vozes que de mim saem não trespassam a sólida, mas fina casca!
O frio que fora cá está, não o sinto cá dentro.
Vou respirando o pouco ar que de mim sobra,
Morrendo de vontade de sair,
Morrendo de medo de voltar.
A casca ligeira que vai quebrando à medida que cresço,
Vai-se transformando em pequenas partes da minha pele,
E quando der conta, vou ser apenas um pedaço queimado de vontades,
Apenas rascunhos de um sonho,
Desfeito numa folha de papel!

7.1.09

TU SABES O QUÊ

sabes que sim,
Sabes que não,
Que talvez até porque não adiantaria!
Quem sabe? Se não nós?
Desistimos porque não queremos desistir!
Sofremos as lágrimas um do outro,
Ansiamos os momentos que não se vão repetir,
Nomeadamente,
Somos felizes à nossa odiosa maneira de amar o corpo um do outro!
Tentámos,
Tentamos,
Mas deixei de querer tentar.
Fiquei desiludido com este amor que me consome exteriormente,
Que me ilude por dentro…
Os momentos ficam na saborosa forma de beijar o espírito,
E o resto,
Desapareceu!

2.10.08

1,2,3...

Quero poder querer tudo o que não esta ao meu alcance.

Começo por riscar umas folhas soltas que colo numa parede preta com tinta espalhada.

Depois escrevo palavras sem sentido,

Descrevo momentos de que tenho saudades,

E respiro.

Expiro.

Solto a suposta alma que temos,

Supostamente.

Reinvento tudo de uma forma mais simples,

Preencho os espaços em branco com um sorriso na face,

Fico feliz com a estúpida simplicidade que tenho.

Encaro o chão como o meu mundo,

E deito-me olhando o tecto que tenho pintado de um tom de azul que desconheço.

Assim recomeço, levanto-me, e pinto num espaço que sinto falta,

Uma demonstração do coração,

Para deixar respirar o ar,

Abro a janela que tenho, estendo os braços ao ar,

E grito para o vento,

Não sei que falar.

15.9.08

=(

Apetece-me censurar o coração,

Não dizer palavras, exprimindo-as.

Choro a um ritmo calmo de uma música que me adormece.

Apetece-me calar a boca com cola, e esperar que cicatrize.

Quero rasgar o corpo que tenho na alma,

Que não sei se tenho,

E esperar que recorde o momento como hoje.

Preciso de morder os lábios,

sentir o gosto do sangue que não passará mais nas minhas veias.

Matei-me porque não quero mais viver,

Vivo porque estou farto de morrer.

13.9.08

Fugis-te de ti porque te quero magoar,

Porque sentes a necessidade de sufocar com o meu ar.

Afogas-te com a saliva que te roubo enquanto sei que não me posso beijar.

Quero sentir a tua respiração parar porque sim.

Apenas por uma mera razão sem nexo.

Quero ouvir o teu coração ficar mais lento,

Ir batendo com vontade de parar,

Senti-lo enfraquecer,

Ouvindo-o lutar para ficar impaciente enquanto te vejo.

Dizes-me que queres parar com esta relação onde o eu é apenas um a imagem de ti.

Dizes-me que podes mudar apenas porque não te condiz ser igual por muito tempo.

O tempo esse não passa, enquanto apertas a mão dele,

Vai parando enquanto o não podes sentir,

Porque sabes que quando estiveres com ele o vais odiar,

Porque sabes que quando sentis-te saudades ele não esteve lá.

Porque sabes.

Porquê?

Sabes?

9.9.08

onde andas?

Procurei-te no único sitio onde não te esperava encontrar,

Resisti à tentação de não te ver,

Beijei-te apenas porque me convinha.

A solidão e mais agora,

É mais falsa,

Maior.

Tenciono encontrar-te onde não te procuro,

Tenciono esperar por ti parado,

Aguardar que não apareças para não ter de te romper,

Vives sem mim, à espera de ti,

Respiras o ar que eu inalo,

Procuro-te num sitio onde espero-te abraçar,

Beijar.

Corro as ruas sentado à espera de ti,

Aguardo mais um bocado.

Aguardo.

Arrepio-te quando te deixo.

Choro dor escarnecida.

O preto da noite é mais claro,

Deixa tons de cinzento por onde passo,

Lágrimas cor de prata que correm pelas ruas tristes.

Chegou o momento, de te dizer.

Parti,

Não quero mais ter-te,

Mas sofrer.

6.7.08

Uma vez mais!

Fiz.

Sem querer.

Parti em busca de um eu que não fosse capaz de pecar,

E sem querer, fugi, tentei te esquecer,

E não mais te amar.

Que sou eu? Se nada mais importa?

Que somos? Almas vaidosas a percorrer estranhos caminhos.

Seres. Coisas que cuidam da sua imagem, invisíveis.

Transformo as palavras que sinto, em frases sentidas.

Minto!

A mim, o que interessa é esta vontade de sonhar, pacatamente acordado.

Resta tudo o resto, afinal, não sou eu, somos nós.

Sonhamos finalmente acordados, tentamos.

Sóbrios desta bebedeira carnal, vivemos numa ilusão verídica.

Sonhamos, acordados.

Pomos fim à dor, acabando com o rancor de nos odiar-mos,

Sentimos, sorrimos, choramos,

Ferimos os que nos ajudam,

Matando o que de nós faz falta.

Somos seres,

Que vadiando as ruas desertas,

Acabam versos soltos,

Com rimas imperfeitas!

19.6.08

Anjo

Um momento que parou.

E aqui estou.

Uma solidão à minha volta,

Uma sensação,

Que me acalma,

Me revolta.

Sinto a vida parada,

Mesmo à minha frente.

Anjo.

Um segundo que mudou.

Acelerou o tempo,

Mudou a rota a seguir.

E fomos tendo medo,

Medo de fugir,

Medo de sorrir.

Anjo.

Uma vida que parou,

Quando sem querer,

Meu corpo ficou dependente,

Desse gosto,

Desse sabor,

Desse toque,

Que é teu.

Que tenho saudades,

Que me enlouqueceu,

Que faz de mim este inacabado,

Anjo.

De saudades.

Caminho.

Rumo.

Perdido estou.

Onde vou?

Afinal, onde estou?

Sem um rumo,

Caminho.

Esperando.

Contigo?

Ou sozinho?

Uma vez mais choro.

E não sinto,

Não sofro,

Apenas me arrefece a face,

Ao passar desta lágrima teimosa,

Que tende em acobardar esta duvida ansiosa.

Onde estou?

Quem serei?

És tu o corpo que eu matei?

Que fiz eu?

Que farei?

Se sem ti,

Ou contigo,

Feliz nunca serei?

Uma vez mais quero.

Talvez!

Pelo menos, espero.

De uma só vez.

Rezo porque sei.

Sei.

Espero.

Anseio-te.

Desespero nesse manto,

Que olha para mim pálido,

Sereno.

Cada lágrima que cai,

Cada gota de sangue,

Mata a vontade,

De beber a água,

Que por pura saudade,

Se ficou pedra,

Para eternamente,

Ser feita sincera,

Esta voz,

Que no infinito fala,

Sem eco no fundo,

Sem vontade de se saber,

Apenas gritando,

Para sobreviver.

Quero parar e não consigo,

Abraço o corpo,

prendo-me a mim,

E finjo sentindo,

Que nada voltará a ser assim.

Quero parar e não consigo,

Amarro o corpo,

As mãos em mim,

E mordo com ódio,

Este meu gesto,

Esta minha vontade,

De viver assim.

Quero parar e não consigo,

Arrasto este corpo,

Ando louco,

Mal consigo sentir-te em mim,

E não tenho forças para parar,

Não consigo sequer,

Mais de mim gostar,

Quero parar e não consigo,

Deixar de te acorrentar,

E soltar-me assim,

Deste castigo,

Que é de ti,

E de mim,

Gostar!

um som!

um som que me sussurra ao ouvido,

que me toca sem saber o que é sentir-me sozinho.

Uma lágrima que vai caindo,

Sorrindo,

Beijando teu rosto,

Fugindo.

Sussurras-me perto,

Que me amas,

Mas ouço-te ao longe,

Quando fujo de ti,

Esperas que volte,

Mas sem sossego,

E perdes a calma que tens de mim,

E ficas assim,

Sem medo de amar-me,

Sem medo de que isto,

Seja mais um fim.

As palavras.

Que transmitem.

Que sentem,

Que se revoltam em demasiadas confusões.

O caos que originam esses olhos escuros,

Que percorrem esta página como se outra não houvesse.

Essa mentira verdadeira,

Que me dá da morte dianteira.

Que me acerta em falso

Que embate na alma,

E cai no chão,

Com calma.

Com calma vai morrendo,

ficando em vão.

4.6.08

Um lamento

Uma lágrima que não cai.

Seca na tua face,

E se vai.

E beijo essa lágrima,

Que seca ao sabor do meu sopro,

Que desaparece para dar lugar a um sorriso meu.

E assim respiramos o mesmo ar,

A mesma sensação de um corpo fraco que ganha força no teu.

E choramos, sorrimos, partimos para um lugar que não existe.

Estranha utopia de um dia perdido em teus braços.

Onde tudo,

por momentos pode ser perfeito.

Nesse corpo sem vida, onde me distraio de ti,

Nesse sentir-me vivo que tens,

Nesse aspecto físico que me exalta,

E me excita.

E pedes-me de mim tudo o que posso ser e dar.

E dou pouco, com medo de te magoar.

Choramos, sorrimos uma vez mais,

Acabamos, recomeçamos e uma ultima vez digo-te,

Não tenho jeito para te amar.

experimentar

reviver emoções que são falsas.

Sensações fingidas que acabam feitas por mim

Pele ser que tento fingir.

Por acabar de recomeçar um verso

Sinto-me infeliz por isto ter tido um fim

Mas no inicio fico assim

A pensar no que vou fazer a seguir.

E sinto-me bem.

Choro o que quero expulsar,

Sorrio as lágrimas que me dão força.

Recordo o jeito doce do teu olhar,

E sento-me sentido que sozinho não estou.

Estou comigo

E sei que nada disso mudou.

Silêncio de um eu.

Adormeço numa vontade louca de acordar,

e gritar em silêncio,

estou a deixar-me apaixonar.

Adormeço e choro os olhos,

Que abraçam o corpo de ti,

Mas recomeça.

História macabra.

Termino a noite a ver-te,

Começo o dia a querer ter-te em meus braços,

agarrados.

Sinto falta de um carinho

De um momento de apaixonados,

Que se tocam, se sentem.

Vibram com seu respirar perto do corpo,

Que sangra paixão.

E assim, ensanguentados,

Vibrando ao teu toque, sem sabor,

Sinto a pele estremecer,

Um arrepio no coração

E sem tempo para te ter,

Sem espaço ou lugar

Acabamos a noite,

E o dia,

a começar.

Não há nada para ver!

No corpo em que me deito

No chão deste vazio que se torna este leito;

Uma dor vazia que corre de mim

Me deixa preso a este mesmo pesadelo,

Que não é noite nem é dia,

Sei que apenas é escuro.

Neste imenso corpo que acordo

Vejo o que sinto

Sinto que vejo,

Embora não sei se adormeço,

Se temo ou se me esqueço.

Respiro o corpo, esse mesmo onde,

No qual, me deito

E sem sentir o que vejo

Vejo que sinto que tudo pára quando sinto sozinho,

Contigo, que te dou um beijo.

30.5.08

deixa o mundo por um momento

deixa-me ser só o teu mundo nesse momento

não penses em mais nada

em mais ninguém

vamos ser nós

e o mundo

vamos apoiar o mundo um do outro

vamos ser nós

vamos ser uma parte de cada um

deixa o mundo ser livre

e prende o teu mundo ao meu

deixa solto o universo

e sente comigo

o quão infinito é este louco prazer

que é poder-te abraçar

que é poder te ter.

14.4.08

sem título

Desejo que mata,

Vontade que consome,

Assim numa errata,

Que me destrói,

E de mim some.

Desculpas ao vento,

Por nele passar,

Lamento lamentos,

Não sei quando parar.

Sombrios caminhos por onde vou,

Desato a correr,

Sem saber mais quem sou.

Oh, raiva e ódio

De alma acorrentada,

Deixa-me amar-te mais uma vez,

Esse teu corpo,

E sentir-te perto,

Deixa-ma rasgar-te,

Sentir-te morto,

E dentro de ti sentir-me um pouco,

Sossegado,

Incerto,

E louco.

5.2.08

triste

demasiado barulho à minha volta,

demasiada gente,

que parte,

e me deixa,

de repente.

deixa-me ouvir a tua voz,

assim acalmo,

e sinto que somos so nós.

triste.

encontro-me na forma mais fragil do meu ser,

quero te ter,

mas nem te consigo ver.

triste,

so ouço ruido,

à volta da tua voz.

ruido.

ruido que aumentaà medida que nos tocamos,

à medida que nos cruzamos.

os dados estão lançados,

vamos agora esperar que o tempo diga,

se fomos ou não feitos

para juntos ficar,

para sermos amados.

30.1.08

RE...

oh retrai

e tenta,

levanta-te e cai,

e senta.

move os pés para onde a ar te levar,

e corre com o vento,

como se pudesses voar.

oh repara,

e atenta,

olha e fixa o olhar em vão,

e escuta como se visses,

e sente como se te tocasse.

oh repete,

e volta a voltar,

e dá voltas nas ondas do mar,

e inspira,

e expira,

e sente a cada olhar,

o toque de minha pele,

e sente a cada o som,

a ternura da minha voz.

oh respeita,

e deita,

e adormece assim,

num estranho delírio,

numa cama estreita,

e espreita,

espreita.

e agora que te encontrei?

despeço-me de ti por não te poder amar?

deixo de esquecido ser,

para passar a gostar?

e como farei para te ter?

como suportarei não te tocar?

sentes meus braços em tua pele?

sentes meu respirar?

deixa-me deixar de te amar,

e sentir-me infeliz,

por saber que queres gostar,

e sentir-me infeliz,

por saber que queres ficar.

quererei ir?

quererei voltar a amar?

onde te posso afinal encontrar?

como posso afinal te conhecer?

e finalmente dizer

é contigo que quero sorrir,

e ser feliz,

e feliz ser.

deixa-me mais uma vez tentar esquecer,

e dizer que contigo,

ou sem ti,

não posso sequer viver.

e voltas porque sabes que estou,

e sentes porque sabes que me dou,

mas tens medo porque respiras a dor que nos separou,

e voltas porque sabes que não mais voltou,

mas sabes que quero que volte,

mas sabes que te quero a ti,

e nesta confusão de não saber,

acabo assim a dizer

volta para onde estás,

e fica,

não te esqueças,

não olhes para trás.

Gosto

e gosto de estar assim

e chorar

e sentir as lágrimas correrem por mim

sentir teu cheiro dentro em mim

e sentir-me cheio,

chorar assim.

e gosto de te odiar,

e sofro por não te livrar de mim,

e gosto-me,

e deixo-me de odiar-te,

e continuo assim,

a fechar-me

de ti,

a querer ter-te,

a procurar tocar-te.

posso?

deixa-me só mais uma vez,

e sente meus lábios assim,

como por fim,

como enfim,

um final de ti,

que acaba assim.

em lágrimas envolto,

em lágrimas revoltado.

e chorando vou sorrindo,

e sorrindo vou deixando cair a lágrima

que te deixa amar-me

que te deixa,

partindo,

sufocar-me.

eu falo de quem amo

daquela pessoa que não esqueço

que m odeio por o amar

que me sinto inútil por o precisar

que me revolta ter de o recordar

que me enjoa nele pensar.

aquela pessoa da qual não me livro por mais que tente

que não me solto assim tão facilmente

que não sai

que não se apaga

porque faz questão de se afirmar

porque sofro por ele todos os dias que levanto

sofro por ele todas as vezes que adormeço ao deitar

porque choro

porque não paro de sorrir a pensar nele

mas no entanto não vivo sem ele.

e recordar magoa

e recordar deixa marcas que não apagam

cicatrizes que não saram

e coisas que se sentem.

e falam cá dentro

e não calam.

24.1.08

Preto!

Numa pura imensidão do ser

revolta íntima que me transforma,

que me deixa infeliz,

que me destrói,

que me diz,

que me sente,

infeliz.

Traduções em sentimentos obscuros,

que me remetem a pensar em desistir,

anseios por uma novidade antiga,

que me constrói,

e acaba por destruir.

Preto.

Falta de olhos para ver,

falta de luz,

que ilumina a falta de sensação,

o excesso de prazer.

Preto.

olho e nada vejo,

olho e sinto a escuridão em minha volta,

e preso numa infinidade de revolta,

livro-me assim,

desta tarefa que vai,

que me larga,

mas não me solta.

20.1.08

amarrando-te

vais me beijando

pedindo com animo

que te deixe, te amando

e vou forçando

vou forçando.

sinto em teus beijos

o ar a escassear

a escassear;

a faltar;

a parar;

e vou deixando teus lábios,

vou apertando

apertando.

e vais fechando a boca

com o prazer de meu sabor.

vais fechando os olhos

vou sentindo

o teu perder.

vou puxando,

vou puxando...

as cordas param,

olho teus olhos,

mas já não estás,

já não mais a sofrer,

beijo-te a última vez,

e te deixo ir,

te deixo livre,

sem ar,

a morrer

a morrer...

ouves o seu correr

te enchendo,

enchendo.

vais tremendo

sem saber;

vais tremendo.

o medo em ti se instala,

mas continuas,

vais senti-la,

tocá-la.

a frieza com que a tocas

a firmeza com que nela entras.

e em segundos vais descendo;

segurando a minha mão.

e te largando vou te dizendo,

nem tudo, foi em vão.

e já no fundo

vejo em teus olhos

tua dor;

ao não quereres parar

ao continuares;

é cedo demais;

é tarde demais;

vais ficar,

e te afogar,

sem respirar,

sem me beijar

vais te afogar,

te afogar...

e acendo-o

contigo preso ao nada,

agarrado ao vazio.

despido de roupas

despido de frio.

prendido pelo devaneio de me querer.

e queimando-se,

consumindo-se,

vais vendo;

chorando,

mas querendo.

e implorando

vais tendo medo

vais chorando...

e o lanço

para perto de ti

e gritando,

querendo;

tendo medo;

implorando,

vais sofrendo;

vais queimando;

vais ardendo;

vais morrendo;

desaparecendo...

(desaparecendo)

sente a lâmina em tua pele

sente as veias sangrarem

em vão.

ouve o som de cada gota

que pinga,

cai ao chão.

e tremes de frio,

mas pedes-me mais.

e tiras a roupa

e em meus braços cais,

pedes mais.

e te corto

te beijo o corpo.

e fechas os olhos,

e paras a voz.

e sentes frio,

pedes que pare,

mas é tarde,

tarde demais.

percorrendo teu corpo

mordendo,

deixando as marcas

de loucos beijos.

e tu vais sofrendo,

pedindo que não pare

pedindo mais.

e rasgando-te a pele

meus lábios vermelhos

ensanguentados.

e queres mais;

teu corpo marcado;

mordido;

rasgado.

feridas de ódio

que sinto por ti;

raivas e medos

que te tenho.

e pedes mais

tua voz se ouve,

embebida em odor a sangue,

embebida em falta de sorte,

e suavemente partindo,

beijas meus olhos,

beijas a morte.

o tempo

voa quando te beijo

mas pára quando te mordo,

quando sinto a dor que tens em me querer.

o tempo passa, mas fica

vai, vem, volta.

repete-se às vezes sem querer,

e perde-se nas linhas da loucura,

do prazer.

o tempo,

essa maldita forma de controlo,

que se esquece de que para sofrer,

é preciso gostar,

e mais querer,

mais querer.

16.1.08

deixa-me ouvir

deixa-me agarrar tuas cordas vocais,

e sem demais,

te afogar em palavras.

tua voz,

tua forma de falar,

forma de sentir o vento em teus lábios.

deixa-me acordar em teus sons.

sentidos,

formas de pensar,

formas de te ter em meus pensamentos.

deixa-me ouvir-te.

tocar tua voz,

sentir tua boca falar,

tocar teus lábios,

e por ti,

me apaixonar.

um dia irás descobrir

acorda.

no entardecer do sonho,

vem ter contigo mesmo e descobre-te,

deixa o sol entrar em teus olhos,

deixa o sol entrar em teu corpo.

brilha com a luz que te erradia,

brilha com a luz que te escurece.

sente o toque de minhas mãos em tua pele,

e vibra ao sentir que é em vão que acordo,

que me deixo enlouquecer,

que te pinto,

que te deixo em branco,

que te rasgo,

papel.

13.1.08

sumário

apagam-se assim as lições que da vida ficaram,

recorre-se à ausência de um nós,

para prender um ser que te esquece,

para te transformar mais uma vez,

para te tornar um ser que louco é,

que enlouquece.

fazem-se as contas à vida,

os números bloqueiem o que de ti resta,

e fica assim esta ferida,

que aberta sara,

que não cura,

que não se esquece.

7.1.08

desculpa

não fugi,

simplesmente fui para longe.

não tive forças para aguentar,

a dor de saber,

a dor de gostar.

procurei perceber,

e me perdi nas confusões,

de procurar,

entender,

me cansei de sofrer.

espero agora o amanhecer,

para partir,

sem te tocar,

sem te ver.

não fugi,

fui para longe.

6.1.08

deprimente

acordar no de repente de não te ter a meu lado.

sonhar contigo acordado,

e pensar que estou a viver-te.

tocar teu corpo,

agarrar-me a ti,

sentir teu calor,

e sentir-me assim,

um pouco tonto,

um quanto louco.

recordar as noites em silêncio,

que nos fazem relembrar a dor de ser,

repartir em busca de um teu toque,

que me faz perder,

morrer

e sentir,

um beijo teu,

mesmo sem querer,

sem pedir.

deixem-me em paz

a morrer

por querer procurar o que me satisfaz,

a partir por não ter forças para ficar,

a sorrir por já não mais ter vontade de chorar.

vão,

não voltem por favor,

esqueçam-se de mim,

e não procurem,

não tentem sequer me voltar a dar-me dor,

porque barrei o corpo,

e não sinto,

não sofro.

tento apenas me esquecer de vós,

e sozinho me sentir,

sozinho chorar,

sozinho sorrir.

Gostei-te

procurei morder-te,

beber teu sangue loucamente,

rasgar teu corpo num de repente,

e deixar te faltar o ar,

assim,

morrendo,

contente.

gosto-te,

e procuro-te esconder,

recear os golpes que cortam,

esta ânsia de te ter.

gosto,

sinto,

sei o porque de te querer,

e vibro ao teu toque,

e caio ao teu beijar,

corta as veias que nos ligam,

e assim acabo,

e assim começo,

de novo,

em fim,

a recomeçar.

corpo disforme

que preza a alma,

que corrobora os membros,

que se acolhem entre si.

olhos que sangram por não cegar.

boca que cala por não morder.

dentes que saciam as entranhas de ti,

que recortam os pedaços que me fazem te esquecer.

mãos que fecham ao tocar,

que sentem o frio de te beijar.

corpo que afasta e consome o saciar da fome,

que te enlouquece,

que te aquece a alma,

e refaz o corpo disforme.

4.1.08

MORDE, RASGA E DEIXA SANGRAR

tritura os pedaços que te deixam só,

que te fazem enlouquecer.

espera o tempo,

resolve voltar,

e ficar,

não partir,

e arranhar,

com vontade de ferir,

de esfolar,

de mentir,

de acabar.

29.12.07

destrói-te

consome-te e deixa apodrecer parte de ti.

esquece-me,

deixa-me morrer e ter um fim.

reparte as partes que te calham do meu coração,

e sem força nem vontade,

trinca de mim o corpo,

parte a alma que o sustenta,

e cheio de mim,

rebenta.

estoura como se da última vez se trata-se.

explode esses membros cobardes,

que se amedrontam ao tocar,

arranca esses olhos,

não vejas,

respira,

e não pares de confiar.

alcança a dor,

retrai o medo,

deixa a vontade de parar morrer,

e acaba assim,

sozinho,

a desaparecer.

25.12.07

Rasgando.

triturando o corpo com a alma,

invadindo o espaço que escassa,

salteando de corpo em corpo,

como lança que trespassa.

fortemente,

eloquente,

e indiferente à aflição que te causa,

deixo assim do corpo o coração,

para recordar,

esta minha maníaca aflição.

desfazendo cadáveres com o olhar,

realizando fantasias ao teu corpo tocar.

cingindo teus braços ensanguentados,

refugiando meu rosto em teus desfeitos bocados.

respirando o odor a sangue,

cheirando intensamente a morte,

atentando contra a alma,

segurando-a na mão,

tentando desperdiçá-la,

não sem nexo,

mas em vão.

ferida aberta

que não cura,

e sangue que não seca.

fonte de dor,

forte prazer.

alcance que relembra o apetite por te tocar,

que refaz aquele sentimento frio e mesquinho,

ao te beijar.

ao te parar a respiração com abraços intensos,

com vontade de apertar a alma,

não o corpo.

sentimento íntimo de prazer austero,

que provoca o sofrimento em mim,

no teu corpo tão severo,

aflige ao pensar que dói,

acalma na vontade de chorar,

adormece na ferida que faz,

e sem pensar,

sem tentar,

sem falhar,

não mais pode parar,

de cortar,

de rasgar...

mutilação precoce.

relança

alcança sem querer chegar,

esfrega e coça com vontade de magoar.

faz ferida que não sara,

deixa marca,

em seu rosto,

sua cara.

atrai a dor ao passar,

sente medo,

tem fome de si,

de se matar.

tem sede de seu sangue,

e vibra ao toque de sua lâmina,

em se cortar.

acalma os ódios e as dores,

com gritos íntimos de prazer.

refugia a vontade de morrer,

numa louca ambição de te ver,

e te querer,

e não ter.

DEVO(ado)RAR-TE

entrarei na forma que tens de ser,

e tentarei apagar a fome que tens de mim,

saciar-te-ei com a vontade insana de te comer,

e rasgarei todo teu corpo,

com vontade,

de te esquecer.

devorarei os pedaços que sobram de ti,

e arrancarei a sangue frio esta raiva que te tenho,

em mim.

abandonarei o local apressadamente,

e sem medo nem frio,

clamarei teu corpo,

tua alma,

tua mente.

Feliz.

é incrível como por vezes sabemos

e tentamos esquecer o que queremos,

o que procuramos tentar querer.

é espantosa a forma como este mundo vemos,

sem ter medo nem receio,

de que um outro haja,

mas melhor.

é fantástica a razão que me leva a te abrir o coração,

que me leva a faltar à razão

e dizer uma última vez que te amo,

que me odeio por te querer,

mas no fundo,

que por ti,

jamais voltarei a sofrer.

acho irreal esta minha forma de gostar,

mas no entanto não quero ter outra,

nem muito menos esta deixar.

voltarei para ti,

mas sozinho ficarei,

sei que vai ser assim,

mas sem medo,

avançarei e tentarei.

descobrirei que amar-te foi um erro,

mas para perdoar-me,

preciso primeiro,

de esquecê-lo.

estarei...

ausente na tua presença,

recorrente ao teu rosto

para me dar a força,

desta eterna recorrência.

refugiado na tua onda de sonhar,

repartido entre a vontade de partir,

e a necessidade de ficar.

vou esperando pelo sinal que te trás à volta,

que te deixa,

de fora,

partir e voltar...

repartir e vingar,

esta estranha certeza que tenho

em querer por demais te odiar.

refugiando os pensamentos em letras,

tentando esquecer a dor,

escrevendo palavras,

esperando a hora,

em que entras.

em que sais.

e voltar?

jamais.

23.12.07

o porquê!

não procuro numa tua resposta satisfazer o meu desejo de te ver,

anseio simplesmente por uma razão,

que me desminta,

esta estranha forma de estar a sofrer.

dá-me a vontade que tenho de te perdoar,

não deixando para trás,

não esquecendo,

não deixando este sentimento perder.

revigora assim a esperança que tenho em me ter,

perto de ti,

e diz que chora,

e diz que a vida,

é injusta,

mas é assim.

permite que minhas lágrimas caiam em teus ombros,

ao tentar tocar teus lábios,

e em teu colo,

desprender meus assombros.

16.12.07

saudades de ti!

mesmo que possa ter todos os sorrisos,

é o teu que quero.

mesmo que possa receber todos os beijos,

é dos teus que preciso.

mesmo que difícil seja

não compreender esta estranha ausência,

continuo a gostar de ti,

nesta viciante dependência...

12.12.07

perdoa-me

desvia esse olhar de mim,

não me faças mais sofrer,

esta dor já não tem fim.

deixa-me enfrentar-te

e diz-me o porque desta louca vontade

de continuar a magoar-te.

responde à minha falta de ti,

e volta mais uma vez,

novamente,

para perto de mim.

dá-me um beijo uma última vez que seja,

mas deixa-me dormir esta noite,

descansado,

em vontade e sonho

de ser por ti adorado,

volta para mim,

perdoando-me,

e esquece não a vontade

que te tenho de odiar,

mas refugia-te nesta minha esperança

que sempre encontro em te desejar.

8.12.07

beija meus lábios,

mais uma vez.

sente meu sabor a sangue.

sangue que te dá prazer,

prazer de me magoar,

de me ver sofrer.

beija meu corpo ferido,

pelas lanças de teu corpo escaldante,

que antes era meu,

e meu era,

esse corpo,

esse meu amante.

corpo que presente continua,

mas que partiu,

para minha amargura.

beija uma vez mais minha face,

e sente a falta que me fazes,

dá-me somente mais uma chance,

de tentar fazer,

com que fique a teu alcance.

permite que te fale em silêncio,

que te lembre que existo,

sentindo minha ausência,

tolera a voz que ouves no fundo,

escuta meu choro sorridente,

quanto te vejo agora,

e te apagas,

de repente

6.12.07

um amor que morreu,

sem ter nascido,

sem ter sido sequer meu.

voltei a tentar acertar onde errei,

mas falhei,

e falhei onde amei.

não quero mais,

digo e repito,

não quero mais.

mas não suporto,

não consigo deixar de beijar teus lábios,

de pensar em tua voz em meu ouvido,

de sentir arrepios quando teu corpo me ilude e passa em meu.

quero e vou aguentar esta farsa,

mas não por ti,

não porque bem me faça,

vou simplesmente deixar de ser a desgraça,

que me mata,

que me deixa assim mais uma vez,

como o outro sem graça.

tarde de mais,

cedo por ter-te,

em fim.

procurei descobrir formas de te ver,

tentas-te fugir e acabas-te perdendo.

não tentes agora voltar sequer,

deixa-me na dor ter de aprender,

e partir,

e fingir que fugi para longe,

do corpo que me transporta.

divago assim nas palavras que quero escrever,

porque não sei que fazer,

não sei que fazer.

sei que não posso voltar a deixar-te,

teu corpo não suportará essa dor,

mas tenho de tentar livrar-te

e ver-te não te tendo,

para ver a que ponto me precisas,

para não me querer.

e o adeus voltou...

partiu refugiado de questões,

soltou do vento as cordas que o prendiam,

e estilhaçou-se,

sem mencionar teu nome,

sem me descrever as razões

que me levaram a agir,

que me levaram a partir...

tento apenas mais uma vez na vida,

esquecer-me,

e fugir.

deixo somente a voz que me cala o sono,

e adormeço sem querer...

não por seres teu,

por seres meu dono,

este amor que me altera,

que me deforma o rosto em lágrimas,

à vontade de me assemelhar,

a gotas de orvalho em noite fria.

mas acabo por me fechar

e tento só mais uma vez te perceber,

e de mim voltar a gostar.

sem título

horas indiferentes,

passadas na presença que teu corpo me roubou,

pequeno minuto em silêncio,

que minha vida desgraçou,

não disfarces agora que me queres,

responde e volta,

e dá-me aquilo que me deves.

responde-me ao convite infiel,

reflete bem dentro de ti,

diz-me se é justo,

deixares-me assim,

sem vontade,

desanimado...

com vontade de chorar,

não por sofrer,

mas por tudo ter acabado.

5.12.07

teu corpo, nosso encontro...

embato em ti,

procurando-me na escuridão,

cheiro-me,

e sinto-te nesta vasta multidão,

deserto de dor.

toco-te sentindo teu vibrar da voz que sussurra,

dou doces beijos,

em jeito de te provar,

dou doces carícias,

em gesto de te gostar.

estimulo teu corpo na distância de um olhar,

e prometo que de ti,

não me quero abandonar.

amarro os braços a teus pés,

beijo teu rosto mais uma vez,

e sinto que é desta que enlouqueço,

porque sempre morre parte de mim,

quando de ti me despeço.

Lutar-te...

vem segurar agora na mão que te deixou,

perde o orgulho que tens por fora,

e em meu ombro,

chora...

chora...

luta à tentação de me tocar,

abraça-me,

combate a ambição de me beijar,

e toca teus lábios em meus.

enlouquece por não me poderes amar.

procura em meu corpo encontrar teu,

e deixando-te assim louco,

com vontade de me odiar,

finge-te puro e livre,

desta forma presa que tenho de te lutar.

Viagem a sós, solitária!

deveria partir agora que descansas,

deveria dizer num adeus aberto ao teu sorriso,

que não tenciono voltar,

apenas que de ti preciso.

anda comigo,

vamos juntos enlouquecer e percorrer os espaços do mundo.

vamos direitos à vontade de nos termos em abraços,

de nos perdermos para sempre,

em momentos soltos e devassos.

volta para a corrente leve,

que te ateia a chama que ainda insiste em arder,

que sopra a brisa,

que me beija ao amanhecer.

vem ter comigo e partiremos ao levantar da manhã,

levaremos connosco um vazio de esperança,

mas um bolso cheio deste sentimento,

que eu meu corpo balança.

4.12.07

pecado!

estranha vontade,

sentimento mútuo,

de solitário prazer,

perversidade que te transtorna,

maldade que me transforma.

sentimento de culpa que te faz corroer o corpo,

que te faz embeber a alma nesse maldito cheiro que tens de mim.

vícios formados pela tua voz,

dependências que crio com esse teu olhar,

sujeitando-me a por ti,

me matar.

imprudência!

descuidei da roupa que vestia,

esqueci do corpo que minha alma aquecia.

vadiei pelas ruas em tua procura,

encontrei as loucuras que me levaram à cura.

crueldade da minha estúpida vontade de te querer aqui.

agora que vestido estou destas letras,

e que encontrei o corpo que me segura,

vou deixar de te dar imagens completas,

passar a abarcar a dor em puzzle,

e te deixar acordar em êxtase,

imundo de sofrimento,

beijando teu talento,

procurando assim,

ter-te por perto,

não por agora,

mas sim,

por muito tempo.

pulsação eloquente.

preso pela vontade de me amarrar a ti,

solto pela veloz força que me deixas.

cordas de aço,

correntes de algodão que me prendem a ti.

braços,

abraços,

amaços loucos,

vontades súbitas de te ver.

loucuras tontas que te acompanham o ser,

verdades falsas que se escrevem por assim terem prazer.

ansiedades,

mudanças bruscas de direção.

repentinas subidas,

doces quedas,

do coração.

Vício,

dependência de ti,

droga que consumo inconsequentemente,

sem ter prazer,

sem te achar em minha mente.

indiferente às consequências,

permito que meu corpo se derreta por ti.

ansiedade que me destrói a vontade de ir,

frustração pelo tempo que passa,

pelo tempo que perdi em te pedir,

que não venhas,

que não voltes.

virtude cobarde

que se retrai em vontade silenciosa de te agarrar,

de não mais te largar,

e para sempre te dizer ao ouvido gritando,

vou voltar,

vou voltar.

3.12.07

fantasias de sonhar

razões que eu próprio desconheço,

razões que me dão tema para me calar,

razões que abandonem o meu gosto por ti,

razões que me deixam assim libertar.

porque sei que na demência da tua voz

se encontra e diferença entre te beijar,

e estarmos sós.

sei que não é loucura saber que me odeio

ao tentar esquecer este ódio de te amar,

não é das sensações que mais gosto,

dizer que detesto ser o que és,

mas és o mais perto de ti que estou.

acordo e vejo que o tempo voou,

que passaram segundos em que teu rosto sorriu ao dormir,

que passaram horas em que senti dentro da alma teu respirar,

que passou mais um dia em que te vi comigo sonhar.

acorda agora e vê o quão bom seria,

que este sonho fosse uma vez mais,

um sonho, e não fantasia.

Posso?

posso querer ter-te só para mim?

rasgar-te o corpo e amar-te assim?

deixas?

deixas agarrar teus braços,

e triturar-te a alma aos pedaços?

vá lá.

faz um esforço.

deixa que a dor me invada o coração

e acabe te matando,

de loucura,

de emoção.

não temas,

vive e sente,

a morte não é mais futuro,

não é mais presente.

deixa-te levar por este suave enlouquecer,

acaba,

recomeça e tenta esquecer.

não confrontes a vontade de gostar,

deixa-me acalmar,

e permite-me assim,

ao inverso, te amar.

GOTAS DE DOR

não são reais,

sangram e matam

sacodem do pó, seres imortais.

arrepiam vozes que estremeçam ao calar,

amedrontam os corpos que se deixam enganar.

são gotas,

são toques de sangue em tua pele.

correntes que pelo corpo vagueiam,

que se misturam em si,

e de si sendo vivem,

se odeiam.

são gotas,

gotas de suor,

gotas de amor que transpiram ódio,

gotas que me refrescam a vontade de te querer a cada toque,

de te esquecer a cada simples choro.

gotas que se incendeiam de paixão,

gotas que me matam,

que me destroem,

e que consomem meu coração.

doces facas miseráveis

recorre ás palavras que cortam meu ser,

para escrever o que sentes ,

sem dor,

sem prazer.

por mim,

tento mais uma vez

cortar as veias onde corre meu álcool,

tento mais uma vez

cortar as vias por onde respiro essa droga

deixa-me uma vez mais tocar teu peito,

sentir teu olhar,

e feri-lo como lâminas,

com vontade de beijar.

arranca os membros com que me tocas

e sente o bater do coração em tuas mãos.

apodera meu corpo em teus braços,

abraça os restos que me faltam,

partes de ti.

refugia-te em meus lábios,

onde teu corpo cada vez mais,

será meu,

sente uma vez mais

e unicamente,

que não és livre por amar,

mas sim por amares diferente.

e deixa-me partir na dor de não te ter tocado como queria,

deixa-me assim matar à facada a dor, desta insana alegria.